domingo, 20 de dezembro de 2009
Proteção para os pequenos
Casa de veraneio
De protetores de tomada e de quinas de mesa a um alarme que, instalado na piscina, soa quando uma criança com mais de 6 quilos cai dentro dela, as medidas são simples e bastante eficientes - em geral, valem para os pequenos de 6 meses a 2 anos. No Brasil, a primeira causa de morte de crianças são os acidentes - aqueles que poderiam ser evitados com um pouco mais de atenção. Por causa deles, de acordo com a ONG Criança Segura, 15 crianças morrem e 373 são hospitalizadas todos os dias no país. Até os 4 anos, quedas e queimaduras - comuns em ambientes domésticos - são as principais causas de internação. "O mundo é feito para adultos em suas dimensões e riscos. Por mais cuidadosos e atentos que os pais sejam, não podem abrir mão de dispositivos de segurança", diz Alessandra Françóia, coordenadora da ONG. Saiba onde está o perigo e como evitá-lo.quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Dicas de Prevenção
Fonte : http://www.criancasegura.org.br
Cuidados com o bebê
Agora que vocês são pais, vocês provavelmente estão mais cuidadosos e querem proteger seus filhos de todas as ameaças que podem existir "lá fora". Mas, e os perigos que estão próximos ou em casa? Itens aparentemente inocentes, como a torneira do banheiro ou o botão perdido das suas camisas, de repente, têm uma grande importância, quando um bebê tem que ser cuidado. Até mesmo produtos feitos para ninar ou entreter sua criança podem, às vezes, ser perigosos.
Sabia mais sobre medidas de segurança que irão ajudá-lo a deixar o ambiente do bebê mais seguro.
Como proteger o seu bebê dos acidentes:
Fonte : http://www.criancasegura.org.br
Cuidados com o bebê
Agora que vocês são pais, vocês provavelmente estão mais cuidadosos e querem proteger seus filhos de todas as ameaças que podem existir "lá fora". Mas, e os perigos que estão próximos ou em casa? Itens aparentemente inocentes, como a torneira do banheiro ou o botão perdido das suas camisas, de repente, têm uma grande importância, quando um bebê tem que ser cuidado. Até mesmo produtos feitos para ninar ou entreter sua criança podem, às vezes, ser perigosos.
Sabia mais sobre medidas de segurança que irão ajudá-lo a deixar o ambiente do bebê mais seguro.
Como proteger o seu bebê dos acidentes:
Bebês devem dormir em colchão firme de barriga para cima, cobertos até a altura do peito com lençol ou manta que estejam presos embaixo do colchão. O colchão deve estar bem preso ao berço (não mais que dois dedos de espaço entre o berço e o colchão) e sem qualquer embalagem plástica. Seja especialmente cauteloso em relação aos berços usados. Procure berços certificados conforme as normas de segurança do Inmetro. Fique atento aos espaços das grades de proteção do berço, elas não devem ter mais que 6cm de distância entre elas. Remova todos os brinquedos e travesseiros do berço quando seu bebê estiver dormindo, para reduzir o risco de asfixia. Compre somente brinquedos apropriados para o seu bebê. Brinquedos pequenos e partes de brinquedos podem engasgar as crianças- verifique as indicações de idade do selo do Inmetro. Tenha certeza de que o piso está livre de objetos pequenos como botões, colar de contas, bolas de gude, moedas, tachinhas. Tire esses e outros pequenos itens do alcance de seu bebê. Tenha certeza de que materiais de limpeza, remédios e vitaminas estão trancados e longe do bebê. Tire plantas venenosas do alcance. Considere a compra de cortinas ou persianas sem cordas para evitar que crianças menores corram o risco de estrangulamento. Nunca deixe as crianças, sem vigilância, próximas a pias, vasos sanitários, banheiras, baldes e recipientes com água. Esvazie-os logo depois de usá-los. Guarde baldes e recipientes de cabeça para baixo. A maioria das queimaduras com bebês, especialmente entre as idades de seis meses a dois anos, são causadas por comidas quentes e líquidos derramados na cozinha. A água quente da pia e da banheira é também responsável por muitas queimaduras em crianças; essas tendem a ser mais graves e cobrem uma porção maior do corpo do que as ocasionadas por outros líquidos quentes Sempre teste a temperatura da água do banho, usando o dorso da mão ou o cotovelo, movimentando a água de um lado para o outro. Evite carregar comidas ou bebidas quentes próximas de seu bebê. Não use toalha comprida na mesa. O bebê pode puxá-la e derrubar utensílios e líquidos quentes. Não use andador com rodas, prefira o cercado (chiqueirinho). Instale telas ou grades nas janelas e sacadas. Nunca coloque berços ou outros móveis próximos de uma janela. Procure adquirir móveis com pontas arredondadas ou considere o uso de pontas de silicone (protetores de quinas) vendidas em lojas especializadas de bebê. Evite móveis com vidro ou outro material que possa quebrar e cortar. Mantenha uma mão em seu bebê enquanto você troca as fraldas. Não deixe seu bebê sozinho em mesas, camas ou outros móveis. Em uma colisão, uma cadeirinha de segurança instalada e usada corretamente reduz em 71% o risco de um bebê morrer. Entretanto, é estimado que a maioria das crianças está sendo transportada no carro desprotegida ou de forma incorreta. Use a cadeirinha em todas as viagens, desde a saída da maternidade. Bebês devem viajar no bebê-conforto, instalado de costas para o movimento do veículo, até completarem um ano de idade e pesarem pelo menos 9 Kg. Nunca coloque a criança no banco da frente de um carro. Consulte o Guia da Cadeirinha. Sufocação - pode ocorrer enquanto o bebê está dormindo, quando seu rosto fica encoberto no lençol, travesseiro ou outra roupa de cama macia. As grades do berço também podem ser uma ameaça causando mortes por estrangulamento e sufocação. Quando estão na fase de descobrir o mundo com a boca, os bebês ainda podem se engasgar com partes e/ou brinquedos pequenos, comidas e outros pequenos objetos. Envenenamento - Crianças com até dois anos de idade correm maior risco de um envenenamento não intencional. Produtos de limpeza e medicamentos são riscos significantes. Bebês podem se envenenar respirando a fumaça de fumos. Preste atenção com plantas, verifique antes de comprá-las se são seguras para suas crianças. Afogamento – grande parte dos afogamentos com bebês acontece em banheiras. Na faixa etária até dois anos, mesmo vasos sanitários e baldes podem ser perigosos. A primeira causa de afogamento com crianças é a falta de supervisão – geralmente por questão de segundos. Veículos automotores – Em uma colisão, uma cadeirinha de segurança instalada e usada corretamente reduz em 71% o risco de um bebê morrer. Entretanto, é estimado que a maioria das crianças está sendo transportada no carro desprotegida ou de forma incorreta. Consulte o Guia da Cadeirinha. Quedas – Entre as principais associações de quedas com bebês estão os móveis, escadas e andador. Este último é responsável por mais acidentes que qualquer outro produto infantil destinado a crianças entre 05 e 15 meses – a maior parte das lesões resultam de quedas em escadas ou simplesmente por tropeços quando estão no andador. Queimaduras – A maioria das queimaduras com bebês, especialmente entre as idades de seis meses a dois anos, são causadas por comidas quentes e líquidos derramados na cozinha. A água quente da pia e da banheira é também responsável por muitas queimaduras em crianças; essas queimaduras tendem a ser mais graves e cobrem uma porção maior do corpo do que as ocasionadas por outros líquidos quentes. |
sábado, 31 de outubro de 2009
CONFORTO PARA O SEU BEBÊ 
Uma das atividades mais prazerosas da gravidez é passear por lojas especializadas à procura de roupas e objetos para o bebê. Mas é preciso levar em consideração alguns aspectos antes de sair por aí comprando o que se vê pela frente. O principal deles é imaginar que as roupinhas serão usadas por um bebê que ficou nove meses aconchegado num meio líquido a uma temperatura ideal e livre de qualquer tipo de pressão e atrito. Isso significa abrir mão, pelo menos nos quatro meses iniciais, dos babados, laçarotes e fitas que só incomodam e tendem a agredir a pele sensível do bebê.
O clima do ano em que ele vai nascer também deve ser lembrado – as roupinhas de algodão, malha ou linha são indicadas para as estações mais quentes e as de plush, lã ou soft para as mais frias. Porém, é sempre bom se preparar para as oscilações de temperatura que ocorrem nesses períodos, incluindo algumas peças mais quentes para o verão e outras mais leves para o inverno. Praticidade é outro item de grande peso na preparação do enxoval. Como trocar um bebê é uma verdadeira ginástica, especialmente para as mães de primeira viagem, é melhor priorizar as roupinhas que tenham abotoamento na parte da frente, abertura nos ombros ou no entrepernas e as de decotes amplos. Hoje, os famosos bodys de algodão substituem eficazmente as camisinhas-pagão e podem ser encontrados nas versões manga curta, longa e com pernas. O importante é poupar o bebê de qualquer incômodo.
Embora a lista do enxoval possa variar de acordo com o gosto e as condições financeiras do casal, existe uma relação básica com os itens necessários. Comprar um grande número de peças é perda de tempo e dinheiro, previne Regina Andrade, enfermeira do berçário do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. “O bebê cresce rápido e conta com um número significativo de presentes após o nascimento. Para determinar as quantidades de cada peça, basta calcular uma média diária de três trocas de roupa completas”, ensina
Fonte: IstoÉ bebê

O clima do ano em que ele vai nascer também deve ser lembrado – as roupinhas de algodão, malha ou linha são indicadas para as estações mais quentes e as de plush, lã ou soft para as mais frias. Porém, é sempre bom se preparar para as oscilações de temperatura que ocorrem nesses períodos, incluindo algumas peças mais quentes para o verão e outras mais leves para o inverno. Praticidade é outro item de grande peso na preparação do enxoval. Como trocar um bebê é uma verdadeira ginástica, especialmente para as mães de primeira viagem, é melhor priorizar as roupinhas que tenham abotoamento na parte da frente, abertura nos ombros ou no entrepernas e as de decotes amplos. Hoje, os famosos bodys de algodão substituem eficazmente as camisinhas-pagão e podem ser encontrados nas versões manga curta, longa e com pernas. O importante é poupar o bebê de qualquer incômodo.
Embora a lista do enxoval possa variar de acordo com o gosto e as condições financeiras do casal, existe uma relação básica com os itens necessários. Comprar um grande número de peças é perda de tempo e dinheiro, previne Regina Andrade, enfermeira do berçário do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. “O bebê cresce rápido e conta com um número significativo de presentes após o nascimento. Para determinar as quantidades de cada peça, basta calcular uma média diária de três trocas de roupa completas”, ensina
Fonte: IstoÉ bebê
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Turminha Precoce
Fonte : IstoÉ bebê
A Organização Mundial de Saúde considera que prematuro é todo bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação. A cada três milhões de crianças nascidas no Brasil, cerca de 10% chegam antes do tempo. Dos 20 milhões de prematuros que vêm ao mundo anualmente, quase um terço morre antes de completar um ano, e nove em cada dez recém-nascidos com peso inferior a um quilo não sobrevivem até o primeiro mês. “As taxas de sobrevivência dependem principalmente de sua idade gestacional, mas também variam com as condições de atendimento e de infra-estrutura do hospital, como as unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais”, explica Sineida Girão, pediatra neonatologista e médica assistente da Universidade Federal de São Paulo. De acordo com ela, nos Estados Unidos 90% dos bebês acima de 600 gramas sobrevivem. No Brasil, não existem dados, mas, quanto mais precoce for o nascimento, mais complicações e sequelas ele pode ter. Isso porque, garante a médica, aqui o tempo de internação é maior e o bebê é submetido a mais procedimentos invasivos dentro da UTI. Fica, portanto, suscetível a infecções.
Um dos problemas mais frequentes em prematuros é a hemorragia intracraniana. O bebê está sujeito a sangramentos no cérebro porque os vasos sanguíneos da região ainda são frágeis e não têm proteção. “Os casos mais graves estão associados à alta morbidade e a complicações durante a internação, com chances de sequelas neurológicas, como atrasos mentais”, explica Graziela Del Bem, pediatra neonatologista da UTI Neonatal do Hospital São Luiz, em São Paulo. Bebês com menos de um quilo têm mais chances de desenvolver essa complicação.
Uma complicação comum é o funcionamento pulmonar. Em geral, os prematuros nascem com a chamada síndrome do desconforto respiratório, já que a capacidade do alvéolo – responsável pela oxigenação do sangue e eliminação de gás carbônico – não está completa. Uma de suas possíveis sequelas é a asma. Há outro risco: o distúrbio batizado de enterocolite necrosante, caracterizado por vômitos e distensão abdominal. É bastante frequente em prematuros, apesar de afetar também crianças nascidas de nove meses. “Não se sabe ao certo sua origem, mas estudos têm demonstrado que o aleitamento artificial pode ser uma de suas causas”, observa Sineida.
Felizmente, as perspectivas de sobrevivência desses bebês estão melhores. Para isso, o papel da incubadora é fundamental. “Como a pele do recém-nascido é muito fina, ele perde muito calor, o que, no passado, levava frequentemente ao óbito. A incubadora mantém sua temperatura em 36,5 graus”, diz Graziela. Hoje, os especialistas já tomam providências antes de o bebê nascer, quando descobrem que a mãe corre risco de parto prematuro. “O uso do corticóide (antiinflamatório potente) pela gestante acelera a maturidade pulmonar da criança e minimiza o quadro da síndrome do desconforto respiratório, ao mesmo tempo que ajuda na prevenção de hemorragias intracranianas”, afirma Sineida. Além disso, as UTIs neonatais estão equipadas com aparelhos sofisticados de ventilação, que melhoram o funcionamento pulmonar e diminuem o tempo de permanência no alto risco. Ainda para melhorar o trabalho dos pulmões, os médicos contam com um medicamento, o surfactante, que, em geral, é administrado na sala de parto.
Outra evolução é a alimentação do bebê que ainda não pode receber leite materno – para ir ao seio, ele precisa estar com peso de 1.500 gramas e 34 semanas de idade gestacional. A nutrição parenteral (alimentação pela veia) é feita hoje por meio de um cateter que evita furos constantes na criança e, consequentemente, o risco de infecções. “A qualidade dos nutrientes melhorou muito nos últimos anos”, constata Sineida. Com todos esses recursos, mesmo os mais apressadinhos têm boas chances de vida.
Fonte : IstoÉ bebê
A Organização Mundial de Saúde considera que prematuro é todo bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação. A cada três milhões de crianças nascidas no Brasil, cerca de 10% chegam antes do tempo. Dos 20 milhões de prematuros que vêm ao mundo anualmente, quase um terço morre antes de completar um ano, e nove em cada dez recém-nascidos com peso inferior a um quilo não sobrevivem até o primeiro mês. “As taxas de sobrevivência dependem principalmente de sua idade gestacional, mas também variam com as condições de atendimento e de infra-estrutura do hospital, como as unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais”, explica Sineida Girão, pediatra neonatologista e médica assistente da Universidade Federal de São Paulo. De acordo com ela, nos Estados Unidos 90% dos bebês acima de 600 gramas sobrevivem. No Brasil, não existem dados, mas, quanto mais precoce for o nascimento, mais complicações e sequelas ele pode ter. Isso porque, garante a médica, aqui o tempo de internação é maior e o bebê é submetido a mais procedimentos invasivos dentro da UTI. Fica, portanto, suscetível a infecções.
Um dos problemas mais frequentes em prematuros é a hemorragia intracraniana. O bebê está sujeito a sangramentos no cérebro porque os vasos sanguíneos da região ainda são frágeis e não têm proteção. “Os casos mais graves estão associados à alta morbidade e a complicações durante a internação, com chances de sequelas neurológicas, como atrasos mentais”, explica Graziela Del Bem, pediatra neonatologista da UTI Neonatal do Hospital São Luiz, em São Paulo. Bebês com menos de um quilo têm mais chances de desenvolver essa complicação.
Uma complicação comum é o funcionamento pulmonar. Em geral, os prematuros nascem com a chamada síndrome do desconforto respiratório, já que a capacidade do alvéolo – responsável pela oxigenação do sangue e eliminação de gás carbônico – não está completa. Uma de suas possíveis sequelas é a asma. Há outro risco: o distúrbio batizado de enterocolite necrosante, caracterizado por vômitos e distensão abdominal. É bastante frequente em prematuros, apesar de afetar também crianças nascidas de nove meses. “Não se sabe ao certo sua origem, mas estudos têm demonstrado que o aleitamento artificial pode ser uma de suas causas”, observa Sineida.
Outra evolução é a alimentação do bebê que ainda não pode receber leite materno – para ir ao seio, ele precisa estar com peso de 1.500 gramas e 34 semanas de idade gestacional. A nutrição parenteral (alimentação pela veia) é feita hoje por meio de um cateter que evita furos constantes na criança e, consequentemente, o risco de infecções. “A qualidade dos nutrientes melhorou muito nos últimos anos”, constata Sineida. Com todos esses recursos, mesmo os mais apressadinhos têm boas chances de vida.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Bebês não quebram
As expressões dos bebês são sinais muito poderosos.
Sorrisos que nos encantam, choros que nos mobilizam
e trocas expressivas que nos seduzem. Nascem
prontos para amar e ser amados
Vera Sílvia Raad Bussab
Ilustração: Will
Diante de um bebezinho sentimos as mais diferentes emoções. Ficamos entre maravilhados e enternecidos. Tão encantadores, tão pequeninos e tão dependentes. Difícil resistir ao contato de seu olhar, à expressividade de seu rosto, aos apelos dos seus gestos. Ao mesmo tempo, diante de tanta fragilidade, podemos ficar um pouco inseguros. Com cerca de 3 quilos, uma grande área mole no crânio, incapazes de sustentar a própria cabeça, quase cabem dentro de nossas mãos. Evocam cuidados que convidam à reflexão. Quando se vai além das primeiras impressões, pode-se descobrir nos bebês muito sobre nós mesmos.
A comparação do humano recém-nascido com as espécies próximas acentua ainda mais a impressão de fragilidade. Nossos bebês nascem mais indefesos e menos desenvolvidos do que se espera dos primatas. Mesmo quando nascem ao final da gestação, de nove meses, os bebês parecem prematuros para o padrão dos macacos. Em termos relativos, seu cérebro está menos desenvolvido, seus ossos estão menos calcificados e várias coordenações estão ausentes. As características típicas dos recém-nascidos primatas só serão atingidas pelos bebês cerca de seis meses depois.
Quem nasce assim prematuro requer cuidados especiais. O canguru, que lá pelos seus motivos tem uma gestação curta, de cerca de cinco semanas, nasce cego, sem pêlos e com pouca maturação motora. Completa seu desenvolvimento fora do útero ficando na bolsa da mãe algum tempo. Já o elefante dispensa essa atenção. Sua gestação consome 95 semanas, mais que o dobro da nossa, e o filhote nasce, anda e corre. A indefesa espécie humana forma no time do canguru, e o colo da mãe opera como a extensão do útero.
Não se quer dizer com tudo isso que os bebês chegam despreparados para este mundo. Na verdade, revelam-se muito adaptados para o que realmente importa, desde o princípio. São capazes de familiarizar-se rapidamente, reconhecendo as pessoas individualmente, e já na primeira semana identificam a mãe pela voz e pelo cheiro. Desde o nascimento, mostram-se voltados para a interação social e para a vinculação afetiva. As expressões que os bebês apresentam são sinais de comunicação muito poderosos. Sorrisos que nos encantam, choros que nos mobilizam e trocas expressivas que nos seduzem. Espelham nossas expressões em seu próprio rosto, assim como fazemos com as deles. Nascem prontos para amar e ser amados.
O adulto, por sua vez, também está mais preparado para ser pai ou mãe do que freqüentemente imagina. Muitas vezes faz, sem se dar conta, exatamente aquilo que deveria fazer. Mesmo pessoas que dizem acreditar que bebês não enxergam se comportam adequadamente para o nível de visão da criança. É comum que, durante a interação afetuosa, a mãe ou o pai se coloquem na linha de visão do bebê, mais ou menos a uns 20 centímetros do seu rosto, exatamente a distância ideal para a acuidade do recém-nascido.
Em contraste com as visíveis incapacidades, o ser humano apresenta notáveis competências. Não somos especialmente fortes, nem rápidos, nem mesmo muito bem-acabados. Crescemos lentamente e dependemos uns dos outros de uma forma especial. Enveredamos por um modo de vida cultural altamente especializado, cuja base parece estar na convivência intensificada e no estabelecimento de laços duradouros. Em certo sentido, da extrema fragilidade humana nasce a sua força.
Vera Sílvia Raad Bussab é psicóloga e professora
do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
Fonte : http://veja.abril.com.br/especiais/bebes/index.html
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